Patilhando saberes

As inteligências, quando se articulam e interagem, criam sinergia e exponencializam a nossa inteligência individual. Eu passo a incorporar em mim a inteligencia dos demais que interagem comigo.
Um pensamento individual é um só pensamento. Um pensamento compartilhado...é um pensamento sinergético. E o pensamento sinergético faz a nossa consciencia abrir-se em olhares infinitos, dimensões e compreensões infinitas. É como se tivéssemos mil olhos, mil sensores e mil estados de consciência.
Queremos ter a oportunidade de compreender o que isso significa. Digam-nos! Nos deêm a oportunidade de nos ver com teus olhos e aprender, contigo, sobre nós.

Silva,2006, p. 37



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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Proposta da formação continuada para 4º e 5º anos - Módulo 1

Documentação do professor em sala de aula

Estudando a avaliação

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE ITAPEVA
CENTRO DE FORMAÇÃO PEDAGÓGICA
AVALIAÇÃO NO NOSSO COTIDIANO
A avaliação acontece a todo o momento e em várias atividades da nossa vida. Estamos sempre fazendo apreciações sobre o que vemos, fazemos, ouvimos e o que nos interessa ou nos desagrada. Os adjetivos estão sempre presentes em nossas apreciações.
 AVALIAÇÃO NA ESCOLA
                     Na escola isso também acontece só que nela a avaliação é intencional e sistemática e os julgamentos que ali são feitos têm muitas conseqüências, algumas positivas outras negativas. Mesmo antes de a criança chegar à escola, no momento da sua matrícula, a avaliação pode começar. Ainda não é a avaliação por meio de provas e exercícios, mas por meio das informações que nos mostram quem é a criança: onde mora, com quem mora, o que sua família faz etc. Muitas vezes nesse momento começa a ser construída a imagem que a criança terá enquanto estiver naquela escola. É uma das conseqüências da avaliação que podem influenciar a maneira de a criança ser tratada na escola, repercutindo em sua trajetória escolar e de vida.
A avaliação acontece de várias formas na escola. É muito conhecida a avaliação feita por meio de provas, exercícios e atividades quase sempre escritas, como produção de textos, relatórios, pesquisas, resolução de questões matemáticas, questionários, etc (HOLFFMANN, 2009, P.37). Quando a avaliação é realizada dessa forma, todos ficam sabendo o que está acontecendo: alunos,  professores e pais. Esse tipo de avaliação costuma receber nota, conceito ou menção. É o que chamamos de avaliação formal.
Mas há outro tipo de avaliação muito freqüente, principalmente na educação infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental: é aquela que se da pela interação dos alunos com os professores, com os demais profissionais que atuam na escola e até mesmo com os próprios alunos, em todos os momentos e espaços da educação escolar. Trata-se da avaliação informal. Ela é importante porque dá condições ao professor de conhecer mais amplamente cada aluno: suas necessidades, seus interesses, suas capacidades, o que já aprendeu e o que ainda não aprendeu e a melhor forma de aprender. São momentos valiosos para a avaliação.
Pelo fato das crianças não saberem que estão sendo avaliada, a avaliação informal deve ser baseada principalmente na ética. Segundo Holffmann (2009, p. 44) cabe à avaliação ajudar o aluno a se desenvolver, a avançar, não devendo expô-lo a situações embaraçosas ou ridículas, afinal a interação entre professor e alunos acontece de forma constante e muito natural.
A avaliação informal dá grande flexibilidade de julgamento ao professor devendo ser praticada com responsabilidade, com o objetivo de promover a aprendizagem do aluno. O professor coloca-se a disposição dos alunos para auxiliá-los em seu trabalho, mas reações que acontecem são espontâneas e imprevisíveis. Muitas vezes ele é surpreendido com perguntas e pedidos de ajuda apresentados de formas mais variadas, tendo em vista as diferenças dos alunos. Contudo, o professor deve estar preparado para perceber tudo o que acontece e para fazer registros necessários.
Pelo fato da construção do conhecimento acontecer de forma permanente e sucessiva, a avaliação do processo torna-se imprescindível, assim como considerar, valorizar e interferir se isso exige do professor uma reflexão teórica necessária para o planejamento de situações provocativas ao aluno que favoreçam a sua descoberta, e o seu aprofundamento em determinada competência ou habilidade específica. Cada tarefa significa um estágio da sua evolução do seu desenvolvimento, portanto não há como somá-las e calcular médias. Elas complementam-se, interpenetram-se.
É imprescindível o registro sério e detalhado das questões que se observa. Tais dados não podem nem devem permanecer como informações generalizadas e superficiais a respeito das manifestações dos alunos, nem se reduzir a número de acertos ou a conceitos, por isso o ideal seria utilizar instrumentos avaliativos como: relatórios de avaliação e portfólio individual dos alunos.
A IMPORTÂNCIA DO REGISTRO
O registro auxilia no processo de avaliação do aluno por parte do professor e pais, demonstra claramente para um observador de fora, a nítida percepção do enfoque, metodologia e mesmo qualidade do trabalho do professor quanto ao oferecimento de meios para que a aprendizagem aconteça assim como o atendimento à diversidade em sala de aula.
Registros significativos são construídos pelo professor ao longo do processo. Sua forma final é apenas uma síntese do que vem ocorrendo, uma representação do vivido. Nessas condições devemos considerar que essa não é uma tarefa fácil! E compreendemos a dificuldade dos professores, porque nos desafia a prestar atenção em todos os alunos e a refletir profundamente sobre a ação educativa, pois “A escrita – representação da fala, representa o que nossa consciência pedagógica se deflagra” (FREIRE M. 1989, p.5). Revelamos no momento do levantamento de pareceres, posturas pedagógicas, o nosso saber didático, referenciais teóricos. Eles são a imagem professor-aluno que se dá no processo do conhecimento. Muitos professores temem por não estarem acostumados a relatar seu trabalho, pois geralmente na escola, se pensa no futuro (planejamentos que algumas vezes sequer saem do papel) e muito pouco se reflete, se relata sobre o que aconteceu, os porquês e prováveis encaminhamentos. Registros de avaliação exigem exercício do professor. Exercício de prestar atenção nas manifestações dos alunos (orais e escritas), exercício de descrever e refletir teoricamente sobre tais manifestações, de partir para encaminhamentos ao invés de permanecer nas constatações.
O PORTFÓLIO COMO AUXILIADOR NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM
O portfólio serve para vincular a avaliação ao trabalho pedagógico em que o aluno participa da tomada de decisões, de modo que ele formule suas próprias ideias, faça escolha e não apenas cumpra prescrições do professor e da escola. Nesse contexto a avaliação compromete com a aprendizagem de cada aluno e deixa de ser classificatória e unilateral. O portfólio é uma das possibilidades da criação da prática avaliativa comprometida com a formação do cidadão capaz de pensar e de tomar decisões (HOLFMANN, 2009, P.98). Para isso, alguns princípios chave orientam sua construção. O primeiro deles é a organização pelo próprio aluno, num tempo específico determinado somente para isso (organização das amostras na pasta portfólio), crianças menores recém alfabetizadas necessitam do auxílio do professor, mas nas escolhas sempre têm a última palavra. A orientação dada pelo professor é variável, quanto maiores, mais autônomas, mais a individualidade do aluno é apresentada assim como mais responsabilidade ele tem pela construção e cuidado do seu portfólio.
Ambos (provas e portfólio) são instrumentos de avaliação, cada um cumprindo propósitos diferentes. As desvantagens de se adotar somente provas são: Porque ela não tem condições de avaliar toda a aprendizagem do aluno, que se dá por meio de diferentes linguagens, além de ser um instrumento inteiramente organizado pelo professor. É ele que: a) decide se a prova será inteiramente objetiva ou subjetiva ou se serão incluídas questões dos dois tipos; b) seleciona os conteúdos das questões; c) determina o dia e horário da sua aplicação, sua duração e o espaço a ser utilizado pelo aluno para dar suas respostas. Ela pode ser um dos instrumentos a compor o portfólio, mas não substitui a função que ele apresenta para a avaliação.
PROCESSO DE AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DO ALUNO:

















REFERÊNCIAS:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: paz e Terra,

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança. Um encontro com a pedagogia do oprimido. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1979

HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mediadora. Uma prática em construção da pré escola á universidade. Porto Alegre: Mediação 2009, 160p.

HOLFFMAN, Jussara. Avaliação mito & desafio: uma perspectiva construtivista. Porto alegre: Mediação, 1991.

VILLAS BOAS, Benigna Maria de Freitas. Portfólio, avaliação e trabalho pedagógico. 5 ed. Campinas, SP: Papirus, 2004, 191p.

Formação Continuada 5º ano - Ensino Fundamental de Nove Anos.
ATP Francismaire Painado atpfran@hotmail.com
ATP Fábio Proença atpfabioproenca@yahoo.com.br

Texto de estudo para o trabalho em grupo

As trocas que fazem a turma avançar
Trabalhar individualmente ou em grupos exige habilidades diferentes das crianças. Confira como potencializar os ganhos para toda a classe
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Uma vez definidos os conteúdos que serão trabalhados ao longo do ano e depois de escolhidas as modalidades organizativas, como você viu nas reportagens das páginas anteriores, chegou a hora de saber como usar a interação entre os alunos a seu favor. Durante muito tempo, a garotada era obrigada a ficar em fila, uma carteira atrás da outra. Felizmente, estudos e pesquisas didáticas mostram que determinadas atividades, quando realizadas em grupos, trazem mais benefícios para o aprendizado de todos. Mas essa forma de ambientação da classe precisa ser pensada com antecedência para que os objetivos sejam efetivamente atingidos. Divididos de forma adequada e sob a supervisão do professor, os alunos aprendem na troca de pontos de vista, ganham espaço para criar e passam a testar hipóteses, refazer raciocínios e estabelecer correlações, para construir conhecimentos. "A discussão e a argumentação crítica também são elementos constitutivos da aprendizagem", diz Silvia Gasparian Colello, pesquisadora de Filosofia e Ciências da Educação da Universidade de São Paulo.
Segundo os especialistas, a interação em classe é importante porque é muito diferente para as crianças aprender com o professor (alguém mais velho, que domina os conteúdos) ou com os colegas (que têm a mesma idade e um nível de conhecimento mais próximo). "O grande benefício é essa troca horizontal", resume Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA e da Fundação Victor Civita. A sala pode ser dividida em grupos de dois, três, quatro ou mais estudantes. E é possível experimentar diversas combinações de grupos - inclusive numa mesma aula. A condição essencial para definir essas divisões é, claro, o que cada um domina e o que precisa aprender. "Os agrupamentos produtivos nascem quando os estudantes têm habilidades próximas, mas diferentes. Assim, os dois têm a chance de complementar o que já sabem individualmente e avançar juntos", completa Regina.

Foi o pensador russo Lev Vygotsky (1896-1934) quem percebeu que as interações sociais são impulsionadoras do conhecimento, pois a aprendizagem só se consuma quando intermediada pelo outro. No entanto, esse embate com opiniões diferentes gera conf litos. Mas essas faíscas, longe de serem enquadradas como indisciplina, podem ajudar a melhorar a qualidade do aprendizado. Essa é uma das formas de ensinar estratégias de resolução de problemas, baseada no respeito e na solidariedade. O professor pode prever em seu planejamento explicações sobre o jeito de cada um administrar seu tempo, falar e olhar o mesmo assunto. E considerar que essa diversidade está presente em todas as salas de aula.
Ao assumir uma postura mais ativa, o aluno não só aprende como também desenvolve valores sociais importantes: o respeito, a compreensão e a solidariedade, o saber ouvir e falar. Conviver, relacionar-se com o próximo e trabalhar em equipe são habilidades fundamentais para o mundo de hoje, dentro e fora da escola. E as atividades em grupo permitem ao estudante acolher o ponto de vista alheio. "Colocando-se no lugar do outro, o ser humano descobre que existem novos jeitos de lidar com o mundo", diz Silvia. "E é dessa maneira que avançamos no conhecimento."
O primeiro passo: conhecer as características dos alunos
Planejar atividades em grupo exige que o educador conheça bem a turma com a qual trabalha. As crianças, naturalmente, descobrem afinidades - mas nem sempre isso tem a ver com os objetivos de trabalho. "Daí a importância desse trabalho de identificar o momento em que cada estudante se encontra", afirma Adriana Laplane, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autora do livro Interação e Silêncio na Sala de Aula.
Alternando os parceiros de trabalho, todo aluno acaba por experimentar papéis diferentes, sobretudo no que diz respeito à habilidade de ter mais jogo de cintura para defender suas ideias e aceitar as dos outros. "Uma criança tímida pode se tornar líder quando uma área que domina entra em jogo. Assim, o professor consegue quebrar o esquema de forte/fraco da sala e faz com que todos tenham mais voz", explica Adriana. Vale lembrar que é melhor agrupar crianças com perspectivas diferentes sobre o mesmo assunto. "O ideal é mesclar características complementares para que todos se ajudem e aprendam mais."

Mas é importante levar todos esses critérios em conta. "As escolhas livres, baseadas em afinidades afetivas, não podem ser a regra", afirma Maria das Graças Bregunci, pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Universidade Federal de Minas Gerais. "Se desejamos formações para o trabalho pedagógico efetivo, as escolhas precisam ser intencionais e reguladas pela natureza da tarefa ou as competências diferenciadas dos estudantes", diz. Com isso em mente, não sobra ninguém sem parceiro.
Só há interação de verdade com troca de conhecimento
Um dos aspectos em que Olga Maria Cabral, professora do 6º ano na EM Virginius da Gama e Melo, em João Pessoa, costuma pensar na hora de formar as turmas é o tempo disponível para a atividade. Ela começa expondo os temas a tratar, discute as linhas gerais e coloca os estudantes para trabalhar. Olga sabe é que para os grupos funcionarem é essencial atentar para o modo como os jovens desenvolvem as atividades. A interação não é a simples reunião de pessoas. São situações reais de troca e parceria. Se o aprendizado não é compartilhado, não houve interação de verdade.
Darli Collares, especialista em Psicologia da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz que a verdadeira lição de convivência proporcionada pela interação é a perspectiva de ter de renunciar a um ponto de vista em favor do trabalho comum. "Numa atividade desse tipo, todos têm de se comprometer a realizar algo para o coletivo", ensina. É dessa forma que o aluno ganha autonomia, começa a tomar decisões próprias e aprende a argumentar, sentindo-se confiante para se posicionar em relação ao conhecimento - tanto quando está sozinho como no meio do grupo.

Temas de História ou Geografia são bons exemplos para ilustrar essa diversidade. Ao tratar da escravidão durante o período colonial, é fácil encontrar textos, imagens e músicas com visões divergentes sobre o tema. Com a turma separada em trios ou quartetos, cada grupo pode discutir um aspecto do assunto, com base em uma parte do material disponível. Em seguida, a classe se reúne para discutir essas interpretações divergentes - e, com isso, abrir a cabeça de todos. Ao perceber a multiplicidade de abordagens, o jovem consegue observar melhor que cada um percebe o mundo do seu jeito.

"Melhor que evitar as discussões é aproveitar essas oportunidades para assimilar as diferenças e compreender e respeitar os colegas", diz Ana Maria de Aragão Sadalla, da Faculdade de Educação da Unicamp. Esses aspectos sociais são tão importantes quanto o conteúdo. Afinal, é preciso compreender que o simples fato de surgirem diferentes pontos de vista sobre um assunto não significa, necessariamente, que os alunos desenvolvam uma mudança conceitual e avancem na aprendizagem. Como escreveu a especialista argentina Mirta Castedo, "os conflitos que nascem nesse contexto nem sempre resultam em benefícios cognitivos". No entanto, não há dúvida de que esse tipo de interação entre os jovens gera, sim, condições para que (devidamente orientados e supervisionados) todos aprendam mais.

Divididos de forma adequada e sob supervisão, os jovens são confrontados com diferentes pontos de vista, criam e testam hipóteses, refazem raciocínios e estabelecem correlações. E assim aprendem mais. Nesse percurso, o fundamental é descobrir o que cada um já sabe para alcançar os objetivos.
TRABALHO INDIVIDUAL
  • Quando a atividade requer mais tempo para ser realizada
  • Se o professor quer que o aluno evolua em uma capacidade fazendo uma atividade mais direcionada ao seu grau de aprendizagem específico
  • Quando a atividade serve apenas para avaliar o grau de aprendizagem daquele aluno
TRABALHO EM DUPLA
  • Se é necessário aliar dois conhecimentos distintos para uma atividade, pode-se juntar alunos que possuam cada um deles 
  • Pode-se explorar as variações de níveis de aprendizagem para que os alunos evoluam juntos 
  • Quando as questões de gênero ou sociais geram atritos, o trabalho em dupla ajuda alunos diferentes a se relacionarem para chegar a uma resposta comum
TRABALHO EM TRIO
  • Estimula o aluno a ter firmeza para eventualmente insistir em seu ponto de vista, contra-argumentando com os colegas 
  • Um estudante fraco se aproxima de outro que sabe mais com a ajuda de um intermediário 
  • Na Educação Infantil, atividades com crianças de várias idades ganham com essa diferença de maturidade
TRABALHO EM GRUPO (Quatro alunos ou mais)
  • Quando a temática é abrangente, ele vale para que os alunos aprendam de forma mais complexa a dividir tarefas 
  • Pode-se exigir mais da capacidade argumentativa, já que o professor consegue montar grupos com alunos que tenham raciocínios bem diferentes 
  • Temas complexos e polêmicos se desenvolvem melhor quando o debate é ampliado
Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA
Aprendizagem Escolar e Construção do Conhecimento, César Coll e Emília de Oliveira Dihel, 159 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-7033444, 46 reais
Interação e Silêncio na Sala de Aula, Adriana Friszman de Laplane, 127 págs., Ed. Ijuí, tel. (55) 3332-0222, 15 reais
Ser Professor É Ser Pesquisador, Fernando Becker e Tania B. I. Marques, 136 págs., Ed. Mediação, tel. (51) 3330-8105, 32 reais
Sobre Pedagogia, Jean Piaget, 262 págs., Casa do Psicólogo, tel. (11) 3034-3600, 32 reais

Orientações para o trabalho com agrupamentos

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE ITAPEVA
CENTRO DE FORMAÇÃO PEDAGÓGICA
ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS

TRABALHO COM AGRUPAMENTOS NO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS.
O trabalho em grupo é uma oportunidade de construir coletivamente o conhecimento. Por meio dessa prática o aluno se relaciona de modo diferente com o saber. É um momento de troca, em que a criança se depara com diferentes percepções, pois a aprendizagem depende de uma ação de mão dupla e essa interação não se resolve por mera passividade.
Trabalhando em grupos, o aluno exercita uma série de habilidades. Ao mesmo tempo em que estuda o conteúdo das disciplinas, ele aprende a escolher, a avaliar e decidir desenvolve além da autonomia, a capacidade de ouvir e respeitar opiniões diferentes.
Segue abaixo orientações referentes ao trabalho com agrupamentos nas salas de 5º ano de 2012:
1.        Para ser proveitoso, esse tipo de trabalho pede estratégias para cada faixa etária, o primeiro passo é o professor conhecer as necessidades da faixa etária com a qual está trabalhando e planejar suas ações a partir disso.

2.        Antes de agrupar os alunos o professor deverá realizar um mapeamento de sua sala, quanto mais se sabe sobre o nível de desenvolvimento de seus alunos, mais produtivo será o agrupamento. Esse diagnóstico não deve acontecer apenas no início do ano e em apenas uma disciplina. Deve ser repetida ao longo do ano, e o desempenho de cada um acompanhado de perto em observações (nos relatórios bimestrais) e na análise das produções (portfólios). É importante lembrar que diferentes conteúdos exigem diferentes tipos de diagnósticos, podem ser utilizadas estratégias diferentes para a realização desse diagnóstico (individual, coletivo ou em grupos), o importante é a observação do professor e registro das observações.

3.        Fazer um diagnóstico detalhado também será essencial para pensar nos desafios que precisam ser vencidos pelos alunos, nos saberes que cada um apresenta e, acima de tudo nos progressos a promover.

4.        Depois de conhecer as necessidades de cada aluno o próximo passo é pensar e planejar o conteúdo a ser ensinado e nos objetivos específicos das atividades. O professor deve ter em mente qual é o objetivo do seu trabalho e, em função disso, escolher as melhores atividades para alcançá-lo, dar orientações e propor o tipo de grupo.

5.        O trabalho individual acontecerá quando a atividade realizada servir para “diagnosticar o que a criança já aprendeu ou ainda precisa aprender, a mesma será um norte para o professor e o conduzirá nas ações posteriores”.

6.        A forma como os alunos serão agrupados dependerá da intencionalidade do professor. Poderão ser agrupadas crianças com conhecimentos diferentes, com conhecimentos próximos, mas habilidades distintas... É importante que não se agrupe alunos com habilidades e conhecimentos iguais, pois o principal objetivo é trocar conhecimentos diferentes e a partir disso garantir a construção e circulação de novos conhecimentos.

7.        Ao agrupar os alunos o foco do professor deve ser sempre a circulação de conhecimento e informações e não simplesmente o comportamento dos alunos ou a afinidade entre eles, dependendo da proposta em alguns momentos alunos que tem dificuldade de relacionamento também deverão trabalhar no mesmo grupo, neste momento caberá ao educador criar condições e intervir para que o trabalho entre eles continue sendo produtivo evitando que uns se calem ou obedeçam e outros dominem o trabalho.

8.        Alunos com muitas dificuldades de aprendizagem não devem ser agrupados em um único grupo permanentemente, lembrando que a intenção desse trabalho não é separar alunos “fracos”, “médios” e “fortes”, mas criar condições para a colaboração e trocas. Portanto o professor não preparará atividades “diferentes” para esses alunos, mas dosará desafios realizáveis pensando em cada grupo e intervenções pontuais com cada aluno.

9.        O professor deve dar autonomia aos alunos, porém isso não significa deixar de intervir. Existirão situações em que as crianças deverão resolver com a colaboração de todos do grupo e outras em que precisarão da orientação do professor mais próximo do grupo. O professor deve ter a consciência que em momento algum as crianças ficarão sem assistência ou livres para fazer o que quiserem, por isso mesmo o planejamento das aulas deverá contemplar todos os momentos da rotina.

10.    Cabe ao professor definir a tarefa a ser realizada no dia, na roda da conversa, dar instruções e sugestões de encaminhamentos, indicar materiais, explicar as regras sobre cooperação entre os participantes (retomando-as sempre que necessário) e socializar informações.

11.    É importante que o professor observe o desempenho de todos no processo e modifique a formação dos grupos conforme a necessidade.

12.    O ideal para essa faixa etária é que o professor inicie o trabalho do coletivo, quando se tratar de conteúdos desconhecidos pelos alunos, depois pode dividí-los em grupos, trios, duplas ou individualmente (organização descendente). Em outros momentos os alunos podem resolver determinadas situações em duplas e depois socializá-las com o grande grupo as estratégias utilizadas (organização ascendente).

13.    O professor pode dar tarefas diferentes para cada agrupamento, desde que haja um objetivo geral e comum para todos, é importante variar o grau de desafio da proposta para melhor atender a diversidade da sala (isso demandará mais tempo do que se todos tivessem com a mesma atividade), orientar o que cada grupo fará e fiscalizar se todos concluíram os objetivos propostos.

14.    Devem ser utilizados os diversos ambientes da escola, por exemplo: indicar sites a serem pesquisados pelos alunos no laboratório de informática, ou bibliografia para pesquisas na biblioteca escolar, entrevista com questões elaboradas em grupo com pessoas da comunidade ou funcionários da escola, ou mesmo pesquisas de campo ao redor da escola ou no próprio bairro.

15.    Lembre-se que trabalhar com agrupamentos não significa apenas dividir os alunos em grupos e continuar com a mesma aula expositiva, ou dividir tarefas para cada um do grupo em que tenham de realizá-las individualmente, o objetivo com já foi dito anteriormente é a interação.

16.    Avaliação deve acontecer em todos os momentos do trabalho. Se o professor perceber que um dos alunos não está produzindo, porque apresenta um nível muito diferente dos demais, ou se observar que determinado grupo está com pouco estímulo o ideal é reagrupar.

17.    Definir a atuação de cada um no grupo é uma boa estratégia para garantir que todos contribuam. Pode ser feita uma legenda na lousa ou em cartaz e crachás indicando a função de cada um, os quais poderão ser reutilizados em outras atividades em que os integrantes troquem de funções. É importante lembrar que ter um papel não significa ter uma tarefa e dar conta dela sozinho. A criança terá sua função desde que a desempenhe com a ajuda dos demais colegas.

18.    O roteiro do trabalho também pode ser colocado na lousa ou em forma de cartaz para que os alunos utilizem como meta e tenham sempre a visualização do que já foi realizado e o que ainda falta para concluírem a atividade proposta.

19.    No trabalho em grupos pequenos as crianças desenvolvem atitudes que devem ser vistas pelo professor como conteúdo em si (saber ouvir, respeitar opiniões alheias, metacognição, respeito, cooperação, tolerância, paciência, resiliência, conciliação entre outras) para isso é importante que desenvolva diferentes papéis dentro do grupo.














REFERÊNCIA

BONALS, Joan. O trabalho em pequenos grupos em sala de aula. Ed. Artmed

VYGOTSKY, Lev. A formação social da mente. Ed. Martins Fontes

COLL, César. A aprendizagem escolar e a construção do conhecimento. Ed. Artmed






Fabio José Proença
Francismaire Aparecida Painado
ATPs responsável pelo 5º ano do Ensino Fundamental de Nove Anos